Universidade é laboratório para o futuro do país, diz Papa a acadêmicos

Visita à Pontifícia Universidade Católica do Chile é o último compromisso do Papa na capital do país

Denise Claro
Da redação

Papa Francisco, em seu discurso aos acadêmicos da Pontifícia Universidade Católica do Chile./ Foto: Reprodução Vatican News.

O Papa Francisco visitou, no final da tarde desta quarta-feira, 17, a Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago.

Em seu discurso aos acadêmicos, o Santo Padre afirmou estar feliz por fazer esta visita, visto que a instituição, em seus quase 130 anos de vida, “oferece ao país um serviço inestimável”, e tem sua história entrelaçada com a do Chile.

O Pontífice iniciou sua fala relembrando as palavras do Reitor, Doutor Ignacio Sánchez, sobre os desafios para o país em relação a convivência nacional e com a capacidade de progredir em comunidade, e disse que refletir sobre tais desafios não significa frear o desenvolvimento do conhecimento, mas fazer da Universidade um espaço privilegiado para praticar a gramática do diálogo que forma encontro, pois a verdadeira sabedoria é fruto da reflexão, do diálogo e do encontro generoso entre as pessoas.

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Convivência Nacional

“A convivência nacional é possível na medida em que, para além do mais, dermos vida a processos educativos que sejam simultaneamente transformadores, inclusivos e de convivência. Educar para a convivência não significa apenas acrescentar valores ao trabalho educativo, mas gerar uma dinâmica de convivência dentro do próprio sistema educativo.”

O Papa disse que é importante desenvolver uma “alfabetização integral” dentro da sociedade, que trabalhe, simultaneamente, a integração das diferentes linguagens que constituem o ser humano:

“Uma educação que integre e harmonize o intelecto, os afetos e a ação: cabeça, coração e mãos. Isto proporcionará e possibilitará um crescimento dos alunos de maneira harmoniosa não só a nível pessoal, mas também e simultaneamente a nível social. (…) É necessário ensinar a pensar o que se sente e faz; a sentir o que se pensa e faz; a fazer o que se pensa e sente.”

O Papa também lembrou a necessidade de uma consciência de espaço público, e frisou que a Universidade tem o desafio de gerar, interiormente, novas dinâmicas que superem a fragmentação da sociedade.

“Sem o ‘nós’ dum povo, duma família, duma nação e, ao mesmo tempo, sem o ‘nós’ do futuro, dos filhos e do amanhã; sem o ‘nós’ duma cidade que ‘me’ transcenda e seja mais rica do que os interesses individuais, a vida será não só cada vez mais fragmentada, mas também mais conflituosa e violenta.”

Progredir em comunidade

O Santo Padre reforçou a importância da a capacidade de se progredir em comunidade, e elogiou os esforços evangelizadores da Pastoral Universitária, sinal de uma Igreja jovem, viva e em saída.

“As missões, que realizais anualmente em diferentes locais do país, são um ponto forte e muito enriquecedor. Em tais ocasiões, conseguis alargar o horizonte do vosso olhar e entrar em contacto com várias situações que, para além do evento específico, vos deixam mobilizados. De fato, o missionário nunca retorna igual da missão; experimenta a passagem de Deus no encontro com tantos rostos.”, disse o Papa aos jovens católicos, frisando que essas experiências não fiquem isoladas no percurso universitário, mas se estendam à sociedade.

Em seguida, o Papa falou sobre a Unidade, e disse ser necessária uma interação entre a aula e a sabedoria dos povos que constituem a nação:

“É indispensável prestar uma atenção especial às comunidades aborígenes com as suas tradições culturais. Não são apenas uma minoria entre outras, mas devem tornar-se os principais interlocutores, especialmente quando se avança com grandes projetos que afetam os seus espaços.”

Francisco reforçou que o serviço universitário deve ter sempre como objetivo ser de qualidade e excelência, colocadas ao serviço da convivência nacional.

“A universidade se torna um laboratório para o futuro do país, porque sabe incorporar em si a vida e a caminhada do povo, superando toda a lógica antagônica e elitista do saber.”

Por fim, o Santo Padre disse que a missão que os acadêmicos tem nas mãos é gerar processos que iluminem a cultura atual, propondo um humanismo renovado que evite cair em qualquer tipo de reducionismo.

“Esta profecia, que nos é solicitada, impele-nos a buscar eventuais espaços mais de diálogo que de conflito; espaços mais de encontro que de divisão; caminhos de amistosa discrepância, porque se diverge, com respeito, entre pessoas que caminham procurando lealmente progredir em comunidade para uma convivência nacional renovada.”

Homenagens

Ao final, o Papa recebeu o carinho da comunidade acadêmica. Foram entregues ao Santo Padre pelos jovens uma maquete das 51 capelas construídas nas periferias do país; um documento de compromisso com a paz, contendo 260 iniciativas de ação social e de cuidado com a casa comum, elaborado por mais de 13 instituições cristãs do país; o livro “Textos escolhidos de Antropologia Cristã”, escrito por um acadêmico da instituição; um quadro com a face de Cristo; medalha centenária da Instituição, entregue pelo Reitor da Universidade.

Francisco entregou terços aos que o homenagearam, e à Universidade, ofereceu uma obra de cartografia do ano 1600, como presente, no último compromisso do Papa na capital chilena.

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