Direitos ou Transgressões

Por Matheus Pigozzo
Seminarista de Niterói 

“No princípio, Deus criou os céus e a terra…” (Gn1,1) Em nossos dias essas palavras do início do primeiro livro da Sagrada Escritura, se bem analisadas, podem criar um grave incômodo aos ouvidos modernos que, constantemente, não só por teoria mas também com atos, desejam uma emancipação egoísta e radical de Deus e sua vontade.

Afirmar Deus como Criador é afirmar que Ele é o início de tudo, a causa última do universo e de todas as coisas e pessoas que há nele. As criaturas devem estar dentro da ordem estabelecida pelo seu Criador, a criação não tem o direito de modificar, nem transgredir o que foi dado pelo seu mentor.

Vejamos exemplos de nossas simples relações humanas: o empregado, quando contratado por uma fábrica de remédios deve seguir as ordens para cumprir com a finalidade de produzir medicamentos e não brinquedos; ou o professor de matemática que foi contratado para ensinar a arte numérica, não o cabe ensinar história ou geografia. Assim também com as criaturas e tudo que pertence a elas, no caso do homem, sua capacidade racional, sexual, afetiva, deve seguir a ordem estabelecida por Deus para se realizar a finalidade de sua existência.

Em nossos dias o mundo é palco de constantes ofensas à esta ordem natural formada por Deus; exemplos claros são as leis imorais, que com mais freqüência são sancionadas pelos governantes, esse desordenamento é legalizado pelo sofisma da busca de “direitos” igualitários, grupos defensores dessas causas se sentem no direito de, como se fosse possível, “reordenar”, “replanejar” o  projeto do Criador.

O foco dos últimos séculos é o homem, o que importa são seus interesses, o que o agrada, o que o satisfaz. E Deus, que criou o homem, onde se encontra no pensamento contemporâneo? Não sejamos radicais dizendo que não tem seu espaço, tem, mas, na maioria das vezes, enquanto traz “paz e amor” ao homem, explicação essa para a religiosidade rala da modernidade, que apresenta e crê só na face de Deus misericordiosa e bondosa, que é incapaz de corrigir e se aborrecer com seus filhos. Juízo? Inferno? Isso é posto como coisa do passado, invenção medieval. Assim segue o homem que acha que pode viver fora da vontade de Deus, “ganhando” esta vida, sem peso na consciência ou medo de perder a futura.

O “direito” da criatura humana é ser feliz, e só conseguirá se seguir a ordem divina, inscrita em sua natureza, para levá-la ao seu fim que é a alegria eterna.

“No princípio, Deus…”, e não o homem, “No princípio, Deus…”, e não meus supostos “direitos”, “No princípio, Deus…”, não minha vontade desordenada.

Deus incomoda o homem de hoje, pois Deus proíbe o pecado! Por isso se entende a perseguição, falta de respeito e a desobediência à Igreja de Deus e seus representantes. Mais que nunca, clérigos e leigos são chamados ao testemunho da fé, que vai contra a “política de boa convivência”, e nos impele a defesa da verdade.

Católicos, nós como pequeno resto do povo de Deus precisamos, com palavras e atos, mostrar à humanidade que o maior direito do homem é o cumprimento do seu dever com Deus, porém só seremos capazes de tal postura se tivermos a coragem de dizer o que necessita ser ouvido e não o que se gosta de ouvir.

“No princípio, Deus…” defendamos essa verdade!

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