A Voz do Pastor

Sob o olhar materno da Senhora Aparecida, Padroeira do nosso Brasil, creio ser muito oportuno convidá-los para uma atenta reflexão, neste mês de outubro, mês do Rosário, conforme nossa tradição católica, e à luz dos Mistérios do Senhor Jesus, sobre a fundamental dimensão missionária que caracteriza a Igreja Católica.

Acostumamo-nos, no passado, a considerar “missão” um assunto fora do nosso espaço local, algo a ver com situações de outros países, como África, Ásia, etc. Esta posição bastante cômoda, dispensava-nos de olhar a nossa própria realidade como Igreja de Cristo, já que, para nós, ela estava bem implantada em nosso país.

Fatores múltiplos inerentes ao processo de desenvolvimento sócio-econômico-cultural irromperam rapidamente, nos últimos tempos, especialmente após o Concílio Vaticano II despertando-nos para a urgente dimensão missionária do nosso ser.

Na conferência de Aparecida, em maio de 2007, o Santo Padre Bento XVI confirmou, com sua bênção, as intuições muito fortes resultantes dos trabalhos da Conferência. Assim, lemos com fé e muita emoção, estas palavras da Introdução ao Documento de Aparecida: “A igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Ela não pode fechar-se frente àqueles que só vêem confusão, perigos e ameaças ou àqueles que pretendem cobrir a variedade e complexidade das situações com uma capa de ideologias gastas ou de agressões irresponsáveis. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos e missionários. Isto não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e missionários de seu Reino, protagonistas de uma vida nova para uma América Latina que deseja reconhecer-se com a luz e a força do Espírito.” (DA. Intr.n.11)

Neste mês das missões, cala profundamente em nosso coração a interpelação que nos dirige o Senhor Jesus através deste trecho da introdução ao Documento de Aparecida. Não somos apenas convidados a uma revisão do nosso agir evangelizador, mas somos instados energicamente, pelo Senhor Jesus, a examinar nossa vida cristã, para ver se de fato já somos “estes homens e mulheres novos” de que fala o texto citado, e se realmente sinalizamos no nosso modo de ser e de agir, como católicos, a radical experiência do encontro pessoal e comunitário com o Senhor Jesus. O ardor missionário não pode germinar em um coração frio, que se contenta com uma religiosidade superficial, até mesmo sincrética, na condução de sua vida cotidiana.

Somente um coração “novo”, abrasado de amor e de paixão por Jesus Cristo é capaz de derrubar as muralhas de seu pequeno mundo pessoal ou familiar, para abraçar a Obra da conquista de tantos e tantas para o caminho do Reino de Amor, de Justiça e de Paz!

Somente um coração apaixonado pelo Senhor, fruto de uma experiência marcante da Pessoa Divina deste mesmo Senhor, pode atirar se à luta pela conquista da nossa Juventude para Cristo, assim como maravilhosamente fez Bento XVI indo ao encontro da Juventude Mundial em Madri, para falar-lhes, com coração de Pai e amigo, sobre Jesus Cristo e seu amor divino por todos nós.

A própria celebração do Dia Nacional da Juventude – DNJ, no final deste mês, deverá ser um momento de forte experiência deste encontro com Jesus Cristo, com a corajosa proposta, feita com ardor missionário, aos nossos jovens, de um novo modo de ser e de construir a sociedade e a Mundo a partir dos valores do Evangelho.

Cabe a nós, pastores, em nossa Arquidiocese, a responsabilidade bem grande de testemunhar uma vida de homens “embriagados” pelo Amor de Jesus Cristo, que tudo deixaram para se consagrar inteiramente a Ele e capazes, por isso mesmo, de todo e qualquer sacrifício para que Ele seja acolhido em todos os corações, especialmente nos corações de nossos jovens e no  seio de nossas famílias.

Que a intercessão materna da Santíssima Virgem do Rosário nos ajude a sermos cada vez mais autênticos discípulos missionários do Senhor Jesus, na sua Igreja.

+ Dom Fr. Alano Maria Pena OP
Arcebispo Metropolitano de Niterói

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