Homo-afetividade: “In Cauda Venenum”

Por Matheus Pigozzo,
Seminarista de Niterói 

Há alguns séculos, descrevendo algumas heresias que apareciam na Igreja, os zelosos pastores de almas forjaram a expressão “In cauda venenum” para alertar o povo que não se enganasse com a sedutora beleza das afirmações dos hereges, que levavam ao ardiloso veneno do erro – como o escorpião, um animal bonito e aparentemente inexpressivo, mas que traz em sua cauda os mais mortíferos líquidos -.

Creio que essa expressão pode ser aplicada ao nosso tempo, de modo especial nos discursos de apologia ao homossexualismo. Assistimos a cada dia pelos meios de comunicação, seja pela linguagem dos textos, seja por leis aprovadas ou posturas tomadas, a imposição da cultura gay. Os defensores dos “direitos” GLS são considerados os modernos, justos e bons, já os contrários aos grupos GLS são taxados de preconceituosos, retrógrados e alienados. Hoje se você não concorda e apóia o homossexualismo você está errado e é tido com indiferença pela grande maioria da sociedade, a posição mais dura que se admite é não concordar, porém aceitar.

Por que será que a população toma, de forma geral, essa postura tão favorável à união gay? Com toda certeza por ter se iludido com a beleza do discurso, deixando-se injetar o veneno do erro em sua consciência.

É notório que o discurso contemporâneo tem a intenção de admitir as mais variadas posturas em nome da política de “boa-convivência”, posicionamento este que tem sua raiz no relativismo, o qual condena a possibilidade de se chegar a uma verdade absoluta, só à fragmentadas “verdades” subjetivas. Mas como sustentar “verdades” tão contraditórias e infundadas? Como defender o mal dizendo que é um bem? Como classificar de natural o antinatural? A resposta é: com uma mistura de sentimentalismo e meias verdades.

Quando se fala de aborto o tema se transforma no direito das mulheres, mulheres estas que há anos sofrem a opressão da sociedade machista, que são objetos para os homens e são subjugadas por eles. É preciso defender o direito dessa classe! São formulados alguns argumentos que até os corações mais duros apoiariam a defesa de sua causa. Ao caírem no jogo de sentimentos e meias verdades aceitam a singeleza do escorpião e consequentemente são picados por ele, tendo na “cauda” destas afirmações a aprovação da morte de inocentes.

De igual modo acontece com o discurso chamado agora, para não ofender, de homo-afetivo. As argumentações circulam entorno do tema do preconceito e do respeito às pessoas. Hoje se algum homossexual é morto, o crime não é condenável por ser uma pessoa que morreu, uma pessoa, que por ser pessoa e nada mais, merecia respeito e a existência; o ato é condenável por ter sido um preconceito, por alguém não respeitar a “opção sexual” de outro.

Também é muito comum neste contexto a pressão para a legalização de “direitos” homossexuais, os políticos favoráveis, transbordantes do mais crasso populismo, justificam seu posicionamento com frases como estas: “todos são iguais”, “o Estado é laico”, ou de forma mais miserável, como recentemente declarou um famoso político de nosso país, para reforçar a cultura gay: “o amor é a felicidade”. Por isso se torna mais e mais perigosa a ditadura homo-afetiva; pois, quem não defende os direitos igualitários para todos, ou que todos devem ser felizes e livres de preconceitos? Assim vai a sociedade, inclusa nela as mais bem intencionadas pessoas, abraçando a aparente inocência e exótica beleza do escorpião, recebem a fatal picada do engano.

Para evitar esse golpe mortífero devemos ter bem claro em nossa mente alguns princípios e argumentações.

A união homossexual fere a lei da natureza: não há complementaridade física e não se cumpre as finalidades do ato sexual; até se observarmos os animais veremos que se unem macho e fêmea; o corpo humano já por si só diz que há algo de errado. O homossexualismo é contrário à Revelação divina: a união marital entre humanos, segundo seu Criador, deve ser de um só modo: “o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher” (Cf. Gn 2,24) e já no início do cristianismo São Paulo alertava o rebanho: “… nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos (…) hão de possuir o Reino de Deus.” (Cf. I Cr 6,9-10). Ser homem ou mulher não é uma opção: já saímos do útero de nossas mães com a formação masculina ou feminina, que naturalmente vai se desenvolvendo pelos hormônios, claramente se percebe que o sexo não é como um time de futebol que se escolhe o que aguça mais meu interesse, assim como se nasce humano e não cavalo, o sexo é determinado e não fruto de escolhas. A felicidade do ser humano está em querer cumprir o que foi estabelecido por seu Criador: não pode se chamar de felicidade e amor meros sentimentos, ser feliz e amar é uma decisão de fazer o que é certo e não o que acho prazeroso e emocionante.

Evidentemente encontramos indivíduos que se dizem atraídos por pessoas do mesmo sexo, isso pode ocorrer por diversos fatores, traumas, consciência mal formada, imaturidade afetiva etc., no entanto, esses fatos nunca justificariam tal prática; estas pessoas devem ser acolhidas e ajudadas, se os sentimentos homossexuais persistirem não devem ser consentidos, sendo orientados à uma vida de continência.

Quem tem coragem de defender a verdade assumindo suas conseqüências? Quem tem o interesse de averiguar os argumentos veiculados pela mídia, sem os aceitar de primeira iludido pela boa fala? Defendamos a verdade, iluminemos a sociedade com nosso testemunho! Lembremos do “in cauda venenun”, por trás dessas inflamadas e elaboradas afirmações se esconde o erro e a contradição.

 

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