A Primeira Aparição de Nossa Senhora de Fátima

 

“A sua face, indescritivelmente bela não era nem triste, nem alegre, mas séria, com ar de suave censura. As mãos juntas, como a rezar, apoiadas no peito e voltadas para cima. Da mão direita pendia um rosário. As vestes pareciam feitas só de luz. A túnica era branca e branco o manto, orlado de ouro que cobria a cabeça da Virgem e lhe descia até aos pés. Não se Lhe viam os cabelos nem as orelhas.” – Assim descreveu Lúcia, uma das videntes de Fátima, a aparição da Senhora do céu.

Quem de nós nunca ouviu falar sobre o dia 13 de maio de 1917? Quantas vezes celebramos a memória desse dia em nossa liturgia, ou contamos esses relatos aos mais novos? Pois bem, mas será que meditamos nas lições que tal acontecimento nos dá? Este mês que iniciamos é momento propício para nos deter nos ensinamentos de Fátima, analisemos alguns pontos importantes desse fato que marcou o mundo.

O primeiro espanto das aparições de Nossa Senhora em Fátima é o fato de se dirigir à crianças, pobres e sem instrução. Ora, quando pessoas importantes saem de onde moram para se encontrar com alguém, não passam por tal incômodo para estabelecer contato com membros não influentes e sem valor para sociedade, por exemplo, o presidente de um país não sai de sua nação para fazer reuniões com operários ou meninos de um orfanato, faz sua viagem pensando em encontrar o chefe do Estado e empresários ricos. A Mãe de Deus, Senhora e Rainha do céu, aparece na terra não para encontrar os poderosos deste mundo, mas, para conversar com três paupérrimas crianças. Como não lembrar da fala de São Paulo: “Deus escolheu, para envergonhar os sábios, o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte”(1Cor 1,27). A primeira lição de Fátima, podemos dizer que é esta: Deus escolhe para ser alvo de suas graças aqueles que são humildes, simples e puros.

Não nos enganemos com os pastorinhos de Fátima, atrás da singeleza de sua aparência, da ingenuidade de suas atitudes se escondem almas corajosas, afogueadas e disponíveis. No primeiro diálogo das pequenas crianças com a Senhora vestida de Sol, a Virgem Maria as fez um questionamento: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”. Que pergunta difícil, que pergunta atordoante, como reagiríamos a tais palavras? As crianças disseram, em sua simplicidade: “Sim, queremos!”

O testemunho destes pequenos é um incômodo aos ouvidos modernos, que fogem continuamente do sofrimento, uma pedra no sapato de todos nós, que muitas vezes buscamos viver uma religiosidade rala e sem sustância, procurando as consolações próprias, o prestígio comunitário ou a compaixão alheia, nunca assumindo a entrega de si, o serviço e o compromisso total com o Reino. Nossa Senhora também nos pergunta hoje: “Quereis oferecer-vos a Deus…?”. Veja, a pergunta não é se queremos oferecer algo a Deus, a pergunta é se queremos nos oferecer a Deus. Oferecer-se a Deus é mais que darmos algo a Ele, é dar-se a Ele, é colocar-lO como o primeiro em nossa vida, ordenando os programas, os gestos, falas e decisões segundo o querer d´Ele. Se passamos a entender isso não nos contentaremos em só cumprir o preceito da Missa de domingo, ou de ajudar em uma pastoral, deixaremos Ele perpassar e guiar nossa vida aceitando e suportando “todos os sofrimentos que Ele quiser enviar…”

Tantas são as coisas que podemos aprender dessas aparições em Portugal, lutemos para que esses acontecimentos não ganhem um caráter de historinha piedosa, mas peçamos a intercessão da Mãe do Céu para termos a coragem evangélica desses pastorinhos. E nos ofereçamos também em reparação ao coração do Senhor e pela conversão dos pecadores, fazendo que a mensagem de Fátima seja de fato vivenciada e não só contada.

Seminarista Matheus de Barros Pigozzo,
em matéria reproduzida na edição de Maio de 2011 do Mater

 

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